Saiba se o ar-condicionado pode aumentar o risco de pegar covid-19


A pandemia do novo coronavírus colocou todos em alerta quanto a limpeza, seja dentro de casa ou na rua. A qualidade do ar também é algo que exige cuidados, principalmente quando as janelas estiverem fechadas, o ar-condicionado ligado e as pessoas muito próximas umas das outras;

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Segundo a Sociedade Brasileira de Infectologia, é importante manter a distância de, no mínimo, um metro de outras pessoas para diminuir as chances de entrar em contato com gotículas de saliva que podem estar no ar quando alguém falar, tossir ou espirrar. "O vilão não é o ar-condicionado, mas a aglomeração em ambientes fechados", afirma a otorrinolaringologista Maura Neves, do Hospital Universitário da USP ;

A climatização de ambientes causa dois problemas que estão relacionados à proliferação de doenças: diminui a umidade do ar e resseca as mucosas nasais, dificultando a filtragem natural do ar. Além disso, com a circulação do ar fica prejudicada, pode ocorrer uma maior proliferação de vírus e aumentar as chances de contrair a covid-19. "Naturalmente, o ar frio e seco potencializa a transmissão de agentes virais. Por isso, a chave é a prevenção", afirma Maura Neves.

Para a especialista, a higienização ou a troca do filtro do aparelho de ar-condicionado, inclusive dos carros, deve ser proporcional ao tempo e intensidade de uso. Durante um trajeto de carro, também é importante ficar tomar alguns cuidados para não se expor e se contaminar com o novo coronavírus. 

A infectologista Raquel Muarrek, do Hospital São Luiz do Morumbi, recomenda dirigir de janelas abertas para melhorar a circulação do ar para evitar que alguma gotícula com o vírus fique suspensa no ar. Essa orientação vale, principalmente, quando mais de uma pessoa estiver dentro do veículo.

Aviões também são climatizados, mas não existe a possibilidade de abrir as janelas para fazer o ar circular. Para Neves, os cuidados empregados pelas empresas aéreas mais as precauções individuais dos passageiros são suficientes para uma viagem segura. "É necessário ter bom senso. Se todos utilizarem a máscara, ninguém transmite a doença. O uso da máscara é um ato altruísta de proteção ao próximo", conclui.

A empresa Omni-Electronica, uma startup incubada no Cietec (Centro de Inovação, Empreendedorismo e Tecnologia), instituição vinculada à USP e ao Ipen (Instituto de Pesquisas Energéticas e Nucleares), criou um dispositivo automático para monitorar a qualidade do ar em locais fechados. O aparelho, que tem o tamanho de uma carteira, apresenta dados e informações sobre temperatura, umidade do ar e presença de partículas em suspensão no ar, nas quais o vírus da doença pode estar presente, utilizando a tecnologia SPIRI

*Estagiário do R7 sobre supervisão de Pablo Marques
Foto: Divulgação/USP